sábado, 23 de maio de 2015

 Os verdadeiros petistas são imorais? (parte II)

Uma vez que, para Marx, a essência está no social, que a individualidade e propriedade privada devem ser abolidas, imaginem um sujeito que interiorizou essa ideia. Que adotou esse paradigma. Então, TUDO relacionado à individualidade será interpretado como “egoísmo”, “individualista”, “que olha só para seu umbigo” “que só quer privilégios para si”, “que não se importa com os pobres”. Pegunta: Nas redes sociais, quantas vezes foi visto esses clichês postados por defensores fervorosos da Dilma?
É preciso ter em mente que apreender códigos éticos, morais e  é um processo SUBJETIVO. Individualidade é o meio de acesso a esses códigos. O egoísmo nada mais  é que a incapacidade de se envolver nesse território onde vige o Sumo Bem. Enfim, a religião, como  acesso subjetivo ao transcendente, é alienação para os adeptos do velho Marx. Deus não existe, é fato superado no decorrer do materialismo dialético. No comunismo, até o Estado se dissolveria dando lugar a uma sociedade justa, igualitária, auto sustentável e sem divisão de classes.  
Perguntas: O marxista autêntico, isento de subjetividade e senso de culpa, é imoral?  Todo o militante petista, que acredita e espera somente no Estado Leviatã , é imoral? Quem rouba, manda matar, escraviza um povo em nome de um ideal socialista é imoral? Lula é imoral? Dilma? Cardozo?  Dirceu?
A mãe de Sócrates foi parteira. Parto em grego é denominado maiêutica e foi o método utilizado por Sócrates que, aos poucos, induzia os jovens a “parirem” suas próprias idéias e conclusões.

Pensem meus queridos!!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

 Os verdadeiros petistas são imorais? (parte I)

    Todos nós pensamos, falamos e agimos dentro de um modelo prévio de pensamento. Seja uma referência ética, religiosa, filosófica, seja um paradigma científico. São aquelas referências primordiais que fundam nossos pensamentos e ações. Porém, somente através da singularidade individual podemos acessá-las.
    Marx, no entanto, diz que a essência do homem reside nas relações sociais, portanto é preciso eliminar a individualidade e a propriedade privada. Ele instaurou um paradigma,  mas eliminou a individualidade de forma que somente o pensamento socialista possa operar. Um verdadeiro e estarrecedor aprisionamento. Sim, meus queridos!! Para consolidar a linda e justa sociedade comunista é preciso eliminar o sujeito como indivíduo. Nos Manuscritos Econômico Filosóficos o comunismo grosseiro é descrito como uma instância natural de superação do capitalismo, individualismo, propriedade privada. Todos “naturalmente” irão se degradar. Até as mulheres, enquanto propriedade do homem (casamento),serão coletivizadas. Uma espécie de prostituição generalizada.
    Para vocês não pensarem que a vovó aqui caducou, cito Marx: ”A primeira forma positiva da abolição da propriedade privada, o comunismo grosseiro, não é senão uma forma na qual toda abjeção da propriedade privada se torna explícita”.Toda abjeção da  propriedade privada se torna explícita? Como assim seu velho insano?  Primeiro você postula que deve se pensar apenas coletivamente, então a subjetividade, que pressupõe princípios morais e éticos, é aniquilada. E óbvio que toda forma de abjeção se tornará explícita!! (desculpem leitores, mas a vovó está p...)
    Bom, acredito ter “clareado” a questão da imoralidade de quem pensa e age aos moldes marxistas. Apenas os autênticos seguidores de Marx, incluindo os petistas,  são imorais. No entanto o assunto requer um aprofundamento. Aguardem a parte II.

Nota 1:Como a precaução é típica das vovós considero, aqui, um contraponto. O horror ao comunismo grosseiro levantou muita polêmica. Os marxistas apaixonados alegam que Marx “criticava” o comunismo grosseiro em favor do comunismo “cientifico”. Vamos ver se entendi. Ele postula que a abjeção da propriedade privada é  uma “tendência natural” mas o que deve vigorar  é o comunismo científico. Aii...Bel querida!  Traz um chá de melissa prá vovó por favoor!!

Nota 2: Por achar mais compreensível (coloquial) a citação acima foi copiada da internet. Aqui vai outra tradução: “A primeira eliminação positiva da propriedade privada, o comunismo grosseiro é, portanto, apenas uma forma fenomenal da infâmia (abjeção) da propriedade privada que pretende  propor-se como comunidade positiva.” MARX, Karl. Manuscritos Econômicos Filosóficos. São Paulo, Martin Claret 2006, p.137. (tradução diferente, que diz a mesma coisa e causa o mesmo nojo)


terça-feira, 19 de maio de 2015

Heidegger, o delator premiado da vacuidade do discurso


       Se tem uma coisa que as vovós tradicionais são especialistas é a capacidade de detectar a vacuidade de um discurso. Seja ele fraudulento, falacioso, até mesmo aqueles discursos cheios de arabescos conceituais. As vovós à moda antiga possuem aquele feeling, aquele olhar de águia mas, sutilmente, guardam para si suas apreensões. Por quê? Porque a experiência de uma maternidade repetida lhe subsidia, num primeiro momento, a visceralidade de acolher dentro si um outro ser, num momento seguinte, a vovó salvaguarda a prole. Toda uma apreensão metafísica, pré teórica entra em cena. O amor e o cuidado irradiam, mas não somente na forma da vibração que acalenta. As velhas, boas e sábias vovós consolidam a realidade a seu redor apenas sob a égide do inefável, sob aquilo que não é possível ser dito.
         Mas tão inevitavelmente, quase num lamento, vivemos bombardeados por discursos repetidos e vazios. Martin Heidegger, filósofo alemão, embora com uma linguagem enigmática, inaugura o conceito ser-no-mundo como um meio de desvendar as aporias, e os discursos inócuos da modernidade.  Heidegger coloca que todo enunciado, palavra ou sentença, deve trazer em si uma carga de referências primordiais, para que seu significado evoque algum sentido. Exemplo: Shin Dong-hyuk, nasceu num campo de trabalho forçado na Coréia do Norte. Ele delatou a própria mãe que, juntamente com seu irmão, foi executada na frente dele. Em seu depoimento ele diz desconhecer o significado de "família", tampouco exprimiu algum remorso. Seu olhar era obtuso e distante. Sua realidade não compreendia a noção de amor, família, ética. Essas não foram suas referências existenciais.Ele apenas sabia que tinha que obedecer, 
         Então, quando nos depararmos com discursos e conceitos, apenas repetidos,  para descrever a realidade  tipo "a elite odeia os pobres", "a mulher é oprimida pelo burguês machista", procuremos na história se essas afirmações têm um significado real. Acontecimentos pontuais não podem ser categorizados como referências fundantes de todo um modo de ver, pensar e agir. 
Também não esqueçamos que o velho Marx, com sua famigerada revolução, quis romper com o pensamento grego e  a ética judaico cristã. O que vemos hoje, em termos de degradação ética e  pensamento superficial, pode ser facilmente detectado quando focalizarmos a atenção às nossas referências fundantes. Nesses tempos estranhos um pouquinho de Heidegger é tão essencial quanto um carinho inefável de vovó. 

  *Esse primeiro texto é uma homenagem ao Táxi Driver, leitor do blog "O Antagonista", que alegou que Heidegger era produtor da vacuidade do discurso. Foi o gatilho que deflagrou a confecção deste blog.